O valor de cada um!
Para GESTORES do sistema socioeducativo Saúde mental no trabalho
Para início de conversa... O que pode afetar a saúde mental no trabalho? O que é importante saber sobre o suicídio?
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Mitos e verdades Atenção aos sinais!
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O que pode representar risco
09 10 11
O que pode proteger
Como ajudar? O que evitar Como ajudar? O que fazer
Gestores precisam ser cuidados! 19
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Bibliografia
Por que falar sobre o setembro amarelo no sistema socioeducativo? Para início de conversa...
Para facilitar acesso a informações úteis, esta cartilha oferece dicas e orientações práticas para ajudar quem está passando por momentos difíceis, com foco especial na prevenção ao suicídio e no papel dos gestores. onde os trabalhadores e gestores cooperam para implementar um processo de melhoria contínua, promovendo a saúde, segurança e bem-estar de todos os trabalhadores no local de trabalho. É importante que as instituições promovam um ambiente de trabalho saudável,
O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, instituída no mundo em 2003 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual ocorre durante todo o mês de setembro. É um movimento essencial, especialmente no sistema socioeducativo, onde a pressão e o estresse agravam condições de saúde mental, gerando sofrimento do servidor e por conseguinte da população acolhida.
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O que pode afetar a saúde mental no trabalho?
Saúde mental é quando uma pessoa se sente bem consigo mesma, consegue lidar com os desafios da vida e contribuir de forma positiva com a comunidade. Envolve o corpo, as emoções e as interações sociais. Por isso, todos temos um papel importante em cuidar do bem- estar uns dos outros.
Fatores de risco para a saúde mental no sistema socioeducativo
Alta carga de trabalho, situações de risco e tensões constantes Baixo apoio da gestão e social Falta de identificação precoce de sinais e sintomas de adoecimento mental. Cuidar do estresse no trabalho e evitar situações injustas, como intimidação e assédio, vai ajudar a criar um ambiente mais saudável para a mente, o que pode prevenir alguns riscos de suicídio
RESULTADO
Aumento dos transtornos mentais (Depressão, ansiedade, Burnout) Redução da satisfação e da qualidade de vida Maior risco de suicídio
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O que é importante saber sobre o suicídio?
O suicídio é quando alguém tira a própria vida intencionalmente. Isso acontece por uma combinação de fatores pessoais, sociais e do ambiente em que uma pessoa vive.
Ideação suicida : pensamentos sobre o suicídio, planos e atos preparatórios. Tentativa de suicídio : ato de autoagressão cuja intenção é a morte, que acaba não ocorrendo. Suicídio consumado : ato intencional de autoagressão que resulta em morte
O comportamento suicida inclui:
Termos como: Vítima de suicídio, cometeu suicídio, Suicídio bem/mal sucedido Devem ser evitados , pois geram estigma e dificultam o auxílio.
Morte por suicídio
Termos usados para se referir ao suicídio
Tentativa de suicídio
Pessoa em risco de suicídio
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Mitos e verdades sobre o suicídio
“Se alguém está determinado a retirar a própria vida, não há o que fazer.” “Pessoas que ameaçam se matar estão tentando manipular o outro” “Quem ameacay não quer se matar, está só chamando a atenção.”
VERDADES
Pessoas em risco de suicídio querem viver , mas não conseguem achar outra saída para acabar com a dor insuportável que sentem.
Pessoas em risco de suicídio estão pedindo ajuda . Acolher e encorajar a busca de ajuda profissional são modos de auxiliar.
Depressão e outros transtornos mentais não são um sinal de fraqueza, falta de Deus, frescura ou qualquer outro preconceito.
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Atenção aos sinais! Existem alguns sinais que podem indicar que a pessoa está pensando em tirar a própria vida. Reconhecer esses sinais é crucial para oferecer apoio. Alguns dos principais são:
Falar sobre querer morrer ou ameaçar tirar a vida.
Expressar sentimentos de desesperança
Oscilações repentinas de humor
Afastamento de amigos e familiares
Sentimentos de inutilidade, culpa ou vergonha
Comportamentos de risco ou autodestrutivos
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O que pode representar risco para o suicídio?
Não existem fatores de risco universais, tampouco causas isoladas. Geralmente, a soma de vários fatores é o desencadeador do evento.
Transtornos mentais, como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar e borderline Experiências traumáticas na infância, como abuso físico, psicológico e sexual Fragilidade da rede de apoio (familiar, comunitária e de políticas públicas). Situações de violações de direitos, estigma social e preconceito (racismo, homofobia, machismo...)
Situações como luto, divórcio, bullying, desemprego, assédio e abuso de álcool ou outras substâncias Tentativas anteriores de suicídio. Histórico familiar de suicídio. Profunda dor emocional, percebida como Fácil acesso a meios de alta letalidade (ex.: venenos, armas)
insuportável. Desesperança
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O que pode servir como proteção?
Os fatores de proteção para o suicídio são elementos que podem reduzir o risco de uma pessoa tentar ou morrer pelo suicídio. Os principais fatores de proteção são:
Apoio social e familiar:
O tratamento adequado para problemas de saúde mental, pode prevenir o suicídio Acesso a cuidados de saúde mental:
Sentir-se conectado e amparado pode reduzir o isolamento e a solidão.
Desenvolver habilidades para lidar com o estresse, resolução de problemas e regulação emocional Habilidades de enfrentamento:
Ter objetivos profissionais, acadêmicos ou pessoais, ajuda a manter a encontrar significado na vida. Ter propósito e metas claras:
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Como ajudar? O que EVITAR
Não julgue ou minimize o sofrimento dos colaboradores dizendo frases que anulam o que a pessoa está sentindo. Como:
“Está reclamando à toa. Isso é falta de Deus!
“É fraqueza não saber lidar com problemas”
“Se vem trabalhar, deixe os problemas do lado de fora!”
“Pessoas que se suicidam são egoístas”
“Você só quer chamar atenção”
Tem situação pior! Agradeça pelo que tem!”
É importante prestar atenção no que você diz! O medo de ser criticada faz com que a pessoa se feche. Se não souber o que falar, só ouça.
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Como ajudar? O que FAZER
O gestor deve ouvir sem julgamento. Mantenha sua voz calma. Deixe claro que você está atento ao que a pessoa está falando (ex: balançar a cabeça). Zele pela confidencialidade. Cuidado com expressões faciais de desaprovação.
Valide os sentimentos da pessoa, ou seja, reconheça-os, respeite-os, valorize-os. Estimule-as a adotar estratégias positivas e evitar as negativas
Respeite as crenças religiosas individuais e não imponha suas próprias crenças. Ajude a pessoa a partir da realidade dela.
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Como ajudar? O que FAZER
Cada pessoa tem a sua própria maneira de lidar com situações difíceis, ajude a lembrar quais são as estratégias dela a partir de experiências do passado.
Incentive a procurar ajuda dentro ou fora da organização, e ofereça-se para ligar ou ir junto. Pergunte se há alguém para quem eles gostariam de ligar (ajude a encontrar rede de apoio).
Se seu colaborador tentou ou indica que ele está prestes a se machucar intencionalmente, remova o acesso aos meios e não o deixe sozinho.
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Como ajudar? O que FAZER
Fale
“Acredito que você deva estar passando por situações muito difíceis. Eu gostaria de ajudá- lo/a. Ajudaria falar sobre o que está incomodando você? ”
Fale
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Como ajudar? O que FAZER
Encoraje a pessoa a encontrar fatos positivos sobre ela e a vida, ampliando a consciência sobre si por meio de perguntas como:
Fale
“Conte-me um momento da sua vida onde haja uma memória feliz. O que você estava fazendo? Com quem você estava? Por que esse momento trouxe felicidade? O que esse momento diz sobre o seu desejo de ser feliz e aproveitar a vida? ”
Fale
Fale
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Como ajudar? O que FAZER
Criar um PLANO DE SEGURANÇA é uma boa estratégia. É como um um guia para proteção em momentos de crise. Você pode fazer sozinho ou com alguém de confiança. São apenas 7 passos.
1. Identificação dos sinais de alerta
Liste os sinais de que você está entrando em crise. Podem ser pensamentos negativos recorrentes, comportamentos específicos, mudanças no humor ou sintomas físicos. Exemplos: sentir desesperança, afastar-se de amigos e familiares...
2. Uso de estratégias de enfrentamento pessoal Liste tudo o que te ajuda a se acalmar em momentos de ansiedade e angústia. Exemplos: ouvir música, praticar exercícios de respiração, caminhar ou outra forma de exercício físico, ler um livro, assistir TV...
3. Contato com amigos ou familiares de confiança Liste as pessoas que podem ajudar a proporcionar apoio emocional. Inclua família, amigos e profissionais de saúde. Escreva o nome, número de telefone ou outras formas de contato.
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Como ajudar? O que FAZER
4. Ambientes e lugares seguros Identifique lugares onde você se sente seguro e pode se acalmar. Exemplos: casa de um amigo ou parente, parque ou espaço público tranquilo, igreja ou outro espaço religioso.
5. Remover ou limitar o acesso a meios letais Restrinja o acesso a meios letais, como armas, medicamentos em excesso, cordas ou objetos afiados. Peça ajuda se necessário. Exemplos: entregar armas a alguém de confiança para que as guarde. pedir a um amigo ou familiar para controlar o acesso a medicamentos.
6. Razões para viver Liste os motivos pelos quais você deseja continuar vivendo. Isso ajuda a combater os pensamentos suicidas. Exemplos: família, amigos, objetivos sonhos e projetos futuros (viajar, aprender algo novo), animais de estimação que dependem de você...
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Como ajudar? O que FAZER
7. Plano de ação em caso de crise Determine o que fazer se os pensamentos suicidas se intensificarem e você precisar de ajuda imediata. Exemplos: ligar para um familiar ou amigo da lista. procurar ajuda em um hospital ou serviço de emergência, contatar uma linha de apoio de crise
Como usar o plano: Mantenha o plano acessível: guarde uma cópia no celular, carteira ou em um local fácil de acessar. Reveja-o regularmente: atualize conforme as necessidades mudem. Compartilhe com alguém de confiança: ter alguém ciente do seu plano pode aumentar a eficácia do suporte.
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Como ajudar? O que FAZER
Os gestores devem criar uma cultura compassiva que apoie os funcionários a falar sobre os seus pensamentos e sentimentos, o que é fundamental para combater o tabu em torno da saúde mental e do suicídio. Gerir a pressão e prevenir o stress constitui um elemento crucial de apoio à saúde mental. O reconhecimento e a detecção precoce de problemas de saúde mental desempenham um papel vital para que as pessoas possam ter acesso ao apoio de que necessitam. Boas competências de comunicação e gestão de pessoas contribuem para a prevenção do stress e dos problemas de saúde mental entre os funcionários. Os gestores precisam de ser competentes e confiantes para ter conversas sensíveis e de apoio com as pessoas e indicar fontes de ajuda especializadas. O tratamento injusto no trabalho, como intimidação, assédio ou discriminação, pode ter um impacto psicológico devastador nas pessoas e os empregadores devem desenvolver culturas onde o tratamento injusto seja conhecido como inaceitável.
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GESTORES TAMBÉM PRECISAM SER CUIDADOS!
A importância da gestão para uma equipe de trabalho
A função gerencial pode impactar a saúde mental dos gestores, pois envolve alta carga de trabalho e responsabilidade.
Com a crescente valorização da saúde mental, reconhecida como tão importante quanto a saúde física, percebe-se a necessidade de atenção a essa questão.
Em momentos de incerteza, o papel dos gestores é ainda mais essencial para manter o equilíbrio da organização e apoiar os colaboradores, ajudando-os a enfrentar desafios com confiança e resiliência.
Cuidar da saúde mental dos gestores torna-se fundamental para manter um ambiente de trabalho saudável, afinal, quando um gestor está emocionalmente esgotado, suas atitudes podem afetar toda a equipe.
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GESTORES TAMBÉM PRECISAM SER CUIDADOS!
Como reconhecer possíveis sinais de alerta na saúde mental dos gestores?
Mau gerenciamento do tempo
Irritabilidade e mudanças de humor
Declínio da empatia e do envolvimento com a equipe
Queixas de saúde física, como dores de cabeça, insônia, dores musculares ou distúrbios gastrointestinais.
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GESTORES TAMBÉM PRECISAM SER CUIDADOS!
Como gestores podem cuidar da própria saúde mental?
Invista em hobbies e espaços de lazer.
Pratique exercícios físicos regularmente
Pratique técnicas de relaxamento, como mindfulness
Organize as tarefas, faça listas com ordem de importância.
Durma bem. Um sono adequado melhora a capacidade de lidar com situações estressantes.
Tenha rede de apoio. Conversar sobre as dificuldades alivia a pressão e pode trazer novas perspectivas.
Busque ajuda profissional caso esteja difícil manejar o estresse.
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Como ajudar? O que FAZER
ONDE BUSCAR AJUDA? CAPS, UBS, UPA SAMU - (Tel) 192 Pronto Socorro Hospitais Centro de Valorização da Vida (Para quem esteja pensando em suicídio) (Tel) 188 (ligação gratuita) ou no site cvv.org No site: mapasaudemental.com.br há informações sobre locais com atendimento psicológico gratuito em todo país
Sempre há uma saída, acredite! Escolha continuar!
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Brasil. Ministério da Saúde (2017). Agenda de ações estratégicas para a vigilância e prevenção do suicídio e promoção da saúde no Brasil, 2017 a 2020. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Brasil. Secretaria de Saúde (2023). Manual de Orientações para o Atendimento à Pessoa em Risco de Suicídio. DF: Secretaria da Saúde do distrito federal. Cortez, P.A; Veiga H.M.S; Gomide A.P.A, et al. (2019). Suicídio no trabalho: um estudo de revisão da literatura brasileira em psicologia. Rev Psicol. Org. Trab . 19(1):523-531. FEIJÓ, F. R. (2015). S aúde mental e qualidade de vida em trabalhadores da fundação de atendimento socioeducativo do Estado do Rio Grande do Sul. 155 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Lange S, Cayetano C, Jiang H, Tausch A, Souza RO. (2023). Contextual factors associated with country-level suicide mortality in the Americas, 2000- 2019: a cross-sectional ecological study. Lancet Reg Health Am ; 20:100450. Palma, T. F et al. (2023).Quando a saída é a própria morte: suicídio entre trabalhadores e trabalhadoras no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva [online] . v. 29, n. 10 Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023 https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023EN>. SOARES, L. M. B. (2013). Trabalho e estresse: um estudo com agentes socioeducativos. 2013. 87 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações) – Universidade de Brasília, Brasília World Health Organization. (2012). Public health action for the prevention of suicide: a framework. Geneva: WHO. 22 p. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/75166/9789241503570_eng.p df?sequence=1 World Health Organization. (2014). Preventing suicide: a global imperative. Geneva: WHO, 137p p.https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/75166/97 World Health Organization. (2018) National suicide prevention strategies: progres, examples and indicators. Geneva: WHO; 64 p. https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/7 Vieira, B., et al.(2022), Risco de suicídio no trabalho: revisão integrativa sobre fatores psicossociais. Saúde em Debate [online] . v. 47, n. 136, pp. 253-268. Penso, M. A. & Sena, D. (2020). A desesperança do jovem e o suicídio como solução. Sociedade e Estado [online] v. 35, n. 01, pp. 61-81. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202035010004>.
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Anotações
Anotações
GEPPS/UFS Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicologia da Saúde 2024
Concepção e supervisão
Prof. Dr. André Faro Universidade Federal de Sergipe Coordenador do GEPPS/UFS Concepção e desenvolvimento do conteúdo Profª Drª Milena Aragão Pós-doutora em Psicologia, Universidade Federal de Sergipe
Membro do GEPPS Elaboração e Ilustração
Júlia Nunes Cardoso Graduanda em Psicologia, Universidade Federal de Sergipe Membros do GEPPS Profª Drª Milena Aragão Pós-doutora em Psicologia, Universidade Federal de Sergipe José Wilton da Cruz Santos Graduando em Psicologia, Universidade Federal de Sergipe Membros do GEPPS
Financiamento Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe - FAPITEC Fundação de Coordenação e Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior - CAPES
Como citar Aragão, M., Cardoso, J.N., Santos, J.W.C., & Faro, A.(2024). O valor de cada um. Saúde mental no trabalho. Para gestores do sistema socioeducativo. [Booklet digital]. Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicologia da Saúde – GEPPS (Universidade Federal de Sergipe, UFS, Brasil). https://doi.org/10.29327/5430656
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